Produzindo uma cerveja vegan
Uma amiga me encaminhou uma discussão se a cerveja é ou não um produto vegan. Como a lei de pureza não considera nenhum ingrediente de origem animal na receita e a própria legislação brasileira proíbe o uso, a cerveja sim é um produto vegan. Mas durante o processo de fabricação outros produtos são usados, o que pode comprometer essa classificação.
Durante o processo de fermentação da cerveja, uma das alternativas para se clarificar o produto é a adição de gelatina nos últimos dias para capturar as partículas em suspensão e passar um líquido mais limpo para a maturação. Outra alternativa é o, até então desconhecido para mim, isinglass, obtido das bexigas do esturjão.
Como as duas soluções são de origem animal, existe uma terceira alternativa natural que pode ser usada para ajudar na clarificação, o musgo irlandês. Essa alga é normalmente adicionada durante a fervura e age como um agregador de proteinas, arrastando-as para o fundo da panela durante o resfriamento. Outra alternativa é adicionar sílica gel e/ou PVPP durante a fermentação.
O motivo de se clarificar uma cerveja é puramente estético, mas convencionou-se que as cervejas a base de trigo devem ser mais turvas que as de cevada, então a indústria investe cada vez mais em processos que melhorem a aparência da bebida. Já existem movimentos na Inglaterra para que os ingredientes animais sejam removidos da clarificação.
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Analista de sistemas, estudante de Direito, fotógrafo, cervejeiro e blogueiro. Quando sobra tempo, também faço pipoca.
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